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quinta-feira, 19 de junho de 2014

Dia Fora do Tempo - Daisi Oliveira de Souza




Dia  Fora  do Tempo

Aguardei  com calma os dias seguintes,
Sempre  foi-me dito  “não  será para sempre”,
Contudo, a alegria  ainda estava  presente,
Balbuciava vez  em quando algumas canções,
Dias  frios ( obviamente), aquecidos  por cartas,
Essas, alimentavam todas  minhas  emoções...

Nesta  cidade o vento corta, estou coberta  de cicatrizes,
Vez ou outra o sol aparece  e   mata a saudade,
Pobre dela,  ainda  sofreu  com tanta maldade...
Meses  foram passando  e eu aguardando...
Quando chegaria  o grande  dia?
A  felicidade  inda  que cega desejava-me  bom dia!
 A  esperança pela  janela  me sorria.

Ora  Mestre! Não  fostes claro  comigo,
Se o para sempre  não existe, o viveria ao menos um dia!

Passaram-se tristes e   longos  anos  ...   
A paisagem não é  mais a mesma...
O inverno  perdurou - congelando meus planos,
Sobre  a escrivaninha deixei as cartas amareladas
Que triste  sina a minha ,
 Não  ouvir o bater  a porta  e as nossas  risadas.

Daisi Oliveira de Souza
Junho 2014

sábado, 7 de junho de 2014

Ave de Rapina - Daisi Oliveira de Souza



Pelas  frestas  da vida,
Cantamos nossos sonhos,
Bebemos  nos  choros,
Olhamos  nosso abandono.

Casebre  mal feito,
Torto até!
Sem altura  no pé direito,

Valha-me Deus!

De que  vale  tanto sofrimento!
Aqui  soltos sem argumentos...
Somos  todos seres imperfeitos,

Não  duvido da  tua  bondade,
Só me  espanta  tanta  maldade
Vinda   sei  lá  donde...
Ceifando   vidas com direitos
Nunca  esclarecidos  pelos  homens!

Ah! Tua  língua de fogo  que  fere!
Os  mais  empobrecidos
Sedentos  por pão e comida
E  por ti  eternamente  perseguidos!

Voa longe  ave negra de rapina !
Deixa  teu  povo sem  a mesma,
Não sirva  tua  dignidade  lesa!

Mais  vale  um mês de batalha,
Que  a  vergonha  a  mesa!

******

Daisi Oliveira  de Souza
Junho  2014
Lei 9619/98

In Versos  & Inversos