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quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Flor de verão - Daisi Oliveira de Souza





Meus passos deslizam,
Lentos e desalinhados,
Medindo um tempo
Que há pouco foi embora,
Deixo suas fotos pelo chão
Sequestrando lembranças
- A cada hora -
momentos que não mais voltarão...

Tento viver um pouco mais
Como flor de verão em fim de estação,
Não defino - trata-se de saudade
Ou uma paralisia da aflição?
Em saber que em teus braços
Jamais repousarei meus sonhos,
E meus olhos nos teus
Não mais refletirão.


Daisi Oliveira de Souza
Lei 9610/98
In " Sob meu Olhar" 


As Sem Razões do Amor - Carlos Drumonnd de Andrade

 
 
Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.