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terça-feira, 12 de agosto de 2014

Macieira - Daisi Oliveira de Souza





MACIEIRA


Ouço no silêncio suaves  cânticos
Sinto  o fluir  da paz  que  enebria,
Deixo-me  envolver  pela  alegria
Envolta em vários  tons  românticos.

Penso -  Serei   o  sonho de alguém?
Caibo em corações  sem   desdém?
Em um vago e profundo  suspiro,
Pairam  dúvidas  e algum  alívio.

É certo que ando  um tanto preguiçosa,
Sofrer de amor  não  me  faz  mais  viçosa,
Nutro  o sabor da  fruta  fresca das manhãs

Ainda   que em sonho,a vida  ideal
tem  árvores  frondosas  no quintal,
Onde colho o doce sabor das  maçãs.

****


Daisi Oliveira de Souza
Agosto 2014
Lei  9610/98

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

O Que Somos - Daisi Oliveira de Souza




O Que Somos


A grande missão do ser humano
É compreender-se  parte  do Todo
É reconhecer-se   mais  humano,
É entender o dia a dia – Cósmico;

Absorver  a generosa  energia Vital
Deixar de fazer  e refazer  tudo igual,

Perceber as nuances  das mudanças
Nos sagrados instantes da existência
Em lições de humildade e perseverança,

Tomar como exemplo a mãe natureza,
Reconhecer  o que  temos ao nosso redor;
Somos a relíquia da vida  que nos anima

É  preciso Identificar  o Universo em nós
Mesmo que este  nos  pareça menor,
É o presente que recebemos...
E ainda julgamos, não tê-lo  ganho.

Daisi Oliveira de Souza

9610/98 – Dez.2013

sábado, 7 de dezembro de 2013

Gato do Mato - Daisi Oliveira de Souza




Ter natureza selvagem,
Ser bela, forte e fera,
Não sacudir como peixe no anzol,
E ter o abrigo  de um caracol,
Seria  muita camaradagem
Do  grande criador ,
Mesmo pedindo-lhe por favor!
Desenhou-me  na lama,
E fez de mim a imagem  humana,
Não deveria estar concentrado,
Pois a alma é tal qual a de um gato do mato,
Ainda que do corpo prisioneira,
Com  as estrelas por outros mundos  vagueia ,
 Em total  e ilimitada  liberdade.


Daisi Oliveira De Souza
In Sob o Meu Olhar
9610/98

Vou viajar - Daisi Oliveira e Souza





Estranho sentimento me acomete
Enquanto a tarde desliza  em azul celeste
Um triste vento sopra  já fraco
Enquanto calço  os meus sapatos,

Vou viajar, o destino ainda é indefinido,
Quero ouvir  a areia e o céu palpitarem em meus ouvidos
Levarem-me (docemente) ao total desconhecido,

Quero sentir na pele as sílabas de cada palavra dita,
Cheirar a fragrância de todo sentimento por ora escondido,
Sentir na boca  a doçura  de raros momentos  vividos,

Desejo ter na íris o brilho das asas da libélula,
Fazer a viagem , e não perder a oportunidade
De descansar minhas mãos  sobre as suas  sem ansiedade.

Daisi Oliveira de Souza
In Sob O Meu Olhar

9610/98

domingo, 27 de outubro de 2013

Olavo Bilac - O Pássaro cativo





Armas, num galho de árvore, o alçapão.
E, em breve, uma avezinha descuidada, batendo as asas cai na escravidão.

Dás-lhe então, por esplêndida morada, a gaiola dourada.
Dás-lhe alpiste, e água fresca, e ovos, e tudo.

Por que é que, tendo tudo, há de ficar o passarinho
mudo, arrepiado e triste, sem cantar?

É que, criança, os pássaros não falam.
Só gorgeando a sua dor exalam, sem que os homens os possam entender.
Se os pássaros falassem,
talvez os teus ouvidos escutassem este cativo pássaro dizer:

"Não quero o teu alpiste!

Gosto mais do alimento que procuro na mata livre em que a voar me viste.
Tenho água fresca num recanto escuro.

Da selva em que nasci; da mata entre os verdores,
tenho frutos e flores, sem precisar de ti!

Não quero a tua esplêndida gaiola!
Pois nenhuma riqueza me consola de haver perdido aquilo que perdi...
Prefiro o ninho humilde, construído de folhas secas, plácido, e escondido.

Entre os galhos das árvores amigas...
Solta-me ao vento e ao sol!
Com que direito à escravidão me obrigas?

Quero saudar as pompas do arrebol!
Quero, ao cair da tarde, entoar minhas tristíssimas cantigas!

Por que me prendes? Solta-me, covarde!
Deus me deu por gaiola a imensidade!
Não me roubes a minha liberdade...

QUERO VOAR! VOAR!..."

Estas coisas o pássaro diria, se pudesse falar.
E a tua alma, criança, tremeria, vendo tanta aflição.
E a tua mão, tremendo, lhe abriria a porta da prisão...



Olavo Bilac