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domingo, 22 de junho de 2014

Vazio - Daisi Oliveira de Souza


VAZIO




Em teus lábios já fui um anjo,
Ainda que deposta do paraíso
Fiquei ao teu lado
Para manter o teu sorriso...

Em teu mundo obscuro
Fui a luz no fim do túnel
Mostrei a saída...
E tu?
Preferiste a vida no submundo

Em teu corpo fui o alento
Provi cada célula com beijos e carícias
E Tu?
Mexeste em minhas feridas...

Dei-te o meu abrigo
Muitas vezes o ombro amigo
Que deixaste em total abandono
E o amor rejeitou...

Agora, choras o vazio, lágrimas sofridas
Tateias no negrume da alma
Não encontras mais as mãos
Que sempre estiveram estendidas.

*** 
Daisi Oliveira de Souza
Lei 9610/98
In “ Sob O Meu Olhar”

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

O Preço do Silêncio - Daisi Oliveira de Souza




O Preço do Silêncio


A  Presença  nunca reclamada,
A ternura crescida entre espinhos,
A alegria  permanente  da  indiferença,
A  dor maior  suportada.

O  apelo contido na garganta
Versos  mortos  de nossas vidas,
Na beleza da flor  na gruta escura,
Lágrimas  sufocadas -tantas ... Quantas!

O flagelo nos porões da alma,
A lança traiçoeira  que dilacera a carne
Estremece o peito que jamais  acalma,

A cruel mordaça  do segredo,
Cala vozes  já  esquecidas
E  faz da vida o verdadeiro inferno.


*** 

Daisi Oliveira de Souza
Lei 9610/98
Fev/2014

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Foi você ... - Daisi Oliveira de Souza




Sumiste  como  a lua ao amanhecer,
Deixando apenas  algumas pegadas,
Por  tantos outros passos apagadas,
Apressados  em busca da  felicidade
Insensíveis  a infelicidade (dos outros),

Lembro-me  do nosso caminho diário...
Familiar e amoroso hoje me trazem desgostos,
De tão acostumados - tornou-se automático,
Esquecemos  de   renovar  os adereços ...
Os planos -  mudaram nossos  endereços,
E  naquela esquina  ainda desconhecida,
Foi você, que sem perceber, se perdeu de mim...

Fiquei  só , naquela   sombria  encruzilhada,
Onde  não  pude enxergar  mais nada,
Nem um sinal daquilo que um dia foi meu  jardim,
Tão carinhosamente cultivado  por mim ,

– Restou o esquecimento  –

Enterrada  viva  em túmulo de concreto,
Sem ar, sem luz, sem o perfume do jasmim
E tudo o que vivenciamos ficou encoberto.

Foi  você...  Que  se perdeu de mim...


Daisi Oliveira de Souza


In Sob o Meu Olhar